Diário da Mongólia • Travel

04 de Fevereiro de 2019

Os opostos se atraem -- e se casam!

Por Milena Mendes
 

  Há algum tempo, falei aqui sobre meu relacionamento com o Deegii (Buyandelger, na verdade), um Mongol que conheci no verão de 2017 e, no inverno do mesmo ano, começamos a namorar — mais especificamente, no dia de Natal!

Se você perdeu a leitura, vou te dar um resumo. Deegii morava nos Estados Unidos haviam sete anos quando, em Agosto de 2017, voltou para a Mongólia. Nos conhecemos na igreja, e eu demorei a aceitar a realidade de que tinha me apaixonado no primeiro dia que o vi. Diferentemente de como muito ocorrera até então com os locais, podíamos nos falar sem nenhum ruído nas mensagens, sem barreiras no idioma. Ele estava num relacionamento que já não ia bem havia algum tempo, o que fui saber conforme nos aproximávamos como amigos e os assuntos se desenvolviam. 

 Atividades com amigos em comum nos mantinham em contato frequente, e eu já não conseguia mais negar a mim e a todos que torciam para nos ver juntos que eu jamais me envolveria com alguém por aqui. Eu havia vindo cumprir dois anos e meio de contrato e voltaria ao Brasil ou partiria para outro país; não queria me envolver para ter que me despedir em pouco tempo. Mas, Deus claramente tinha outros planos quando decidiu me mandar para trabalhar aqui do outro lado do globo — não era só trabalho. Era o meu futuro começando a ser escrito por Ele. 

Finalmente, algum tempo depois de eu saber do fim do relacionamento com a ex-namorada, Deegii começou a demonstrar uma afeição além de amizade; sempre foi muito cuidador de pessoas, atencioso, esperto, e isso me atraía cada vez mais, ao mesmo tempo que me deixava confusa se a aproximação dele era real ou coisa da minha cabeça. Aqui não se comemora Natal, dado o fato da Mongólia não ser um país cristão. Eu, sem planos para o dia 25, o convidei para ir visitar uma exposição aberta de estátuas de gelo. Ele, também sem planos, aceitou! Nos divertimos, andamos de patins sobre o gelo (ele era incrivelmente habilidoso nas manobras), e fomos jantar antes de voltarmos às nossas casas. 

Já andávamos abraçados e de mãos dadas, mas eu não queria perder tempo com alguém sem saber o que estava acontecendo entre nós, então perguntei-lhe. Tínhamos conversado antes sobre relacionamentos, decepções passadas e objetivos futuros. Eu fiz questão de esclarecer que só me envolveria com alguém novamente na certeza que ele seria “o cara” (por isso eu tanto relutava em aceitar o sentimento. Foram quatro meses em oração pedindo que Deus tirasse aquilo de mim…). Ele, sabendo disso, respondeu que estávamos namorando. Não precisou de pedido oficial, não precisou de uma conversa longa para chegar a um ponto. Tudo já tinha começado a acontecer gradativamente, e eu entendi que era o plano de Deus para nós dois!

 

Logo no início do namoro já falávamos em casamento e família. Sabíamos aonde queríamos chegar, pois tínhamos a certeza de que fomos levados um ao caminho do outro não à toa. Claro que levou um tempo para nos conhecermos mais profundamente, e tudo ia de bom a melhor! Com mais certeza nos planos por volta de Setembro de 2018, decidimos que casaríamos no verão de 2019, aqui na Mongólia. A notícia não deixou meus pais tão animados porque não poderiam estar aqui para me verem casar. 

No começo de Dezembro, a escola onde trabalho me surpreendeu com uma viagem de férias para o Brasil. Muitas coisas tinham acontecido por aqui que me abalaram, e eu precisava da minha família. A viagem foi uma das melhores notícias que eu tinha recebido na minha vida, dadas as circunstâncias. Conversei com o Deegii sobre ele ir comigo, para conhecer meus pais, já que economizaríamos com minhas passagens. Foram quase duas semanas para resolver se ele iria ou não, quando a mãe dele sugeriu que, já que estaríamos no Brasil e os planos para casamento já existiam, fizéssemos a cerimônia por lá. Meus pais ficaram muito felizes com a possibilidade e começaram a ir atrás de todas as informações necessárias para que isso acontecesse dentro dos vinte e tantos dias que teríamos lá.

Tudo foi-se encaixando lindamente, conforme Deus planejara e conforme eu jamais pudera imaginar! Na correria para fazer a viagem acontecer, traduzir e registrar documentos, encontrar passagens em cima da hora mas em bons valores, nem pensamos em noivado. Ou melhor, eu não pensei. Deegii sugeriu que aproveitássemos para confirmar tal convenção social no nosso aniversário de namoro, quatro dias depois de termos comprado as passagens dele para o Brasil, e quatro dias antes de partirmos! 

Ele saiu à procura das alianças e, como que guiado novamente por Deus, encontrou uma loja enorme com todos os tipos e valores, já que não tínhamos condições de gastar com isso no momento. O modelo que ele mais gostou e me mandou foto, foi também o que eu mais gostei e quis. A surpresa foi o valor super acessível, dentro do que podíamos pagar. 

Nossa viagem estava marcada para dia 1 de Janeiro; duas semanas antes, a companhia aérea entrou em contato conosco dizendo que nosso vôo havia sido cancelado, mas que podiam nos acomodar no vôo que sairia dia 29 de Dezembro. Ganhamos dois preciosos dias com minha família. Falo desses detalhes porque, quando digo que foi Deus guiando tudo, eu não exagero. Por mãos e pensamentos humanos, jamais tudo que aconteceu teria saído.

 

A cerimônia

Na terça-feira, dia 22 de Janeiro, nos casamos na Igreja Adventista Central de Presidente Prudente, onde cresci frequentando, diante da minha família, dos parentes que vieram de fora da cidade, dos amigos mais próximos, daqueles que me viram crescer por aqueles corredores, e de todos os queridos que sempre torceram pela minha felicidade. Para os que estavam longe, fizemos transmissão ao vivo pelo Facebook em link público no meu perfil (ainda disponível em www.facebook.com/milenamongolia, se você quiser assistir). 

Não houve convite impresso, nem apadrinhamento, e não teve marcha nupcial convencional. Já sabíamos que nosso casamento não seria em nada convencional! Eu traduzi toda a cerimônia instantaneamente para o Deegii. Foi diferente de tudo que eu já tinha visto, bem como todos os presentes ali e que nos diziam isso. Fizemos questão de receber todos para cumprimentos e foto, em gratidão por estarem conosco naquele dia tão marcante em nossa vida. 

Um detalhe: o oficiante foi o Pr. Rodrigo, justamente quem me convidara à vir trabalhar na Mongólia! Ele e a esposa, Gaby (na época, grávida), foram embora cinco dias depois que cheguei. Já estávamos em contato haviam meses antes de eu chegar aqui, e sempre foram muito queridos. Coincidiu de estarem de férias no mesmo período, na casa de familiares a pouco mais de duas horas de distância da minha cidade. Eles sabiam tudo que eu tinha passado até topar a vinda, conheciam a realidade de onde eu morava, e me deram a felicidade de estar comigo no meu tão aguardado mas nunca sonhado dia!

Os planos para o futuro? Entendi que sou péssima em planos. Não me desespero mais em planejar meus meses e anos. Deus sempre muda tudo, para muito além do que eu poderia sonhar em realizar. Por enquanto, sigo considerando belas propostas de trabalho para iniciar ao final do meu contrato, em Junho. O resto, deixo meu Pai cuidar. 

 
 

Interplan
Willy Macedo