Diego Ariça Ceccato • Articulistas

10 de Junho de 2019

O espaço escolar no ensino híbrido

 O ensino híbrido, embora equivocadamente muitas vezes é compreendido como um mix entre ensino presencial e não presencial, é na verdade muito mais do que isso. É também uma mistura entre as duas modalidades, mas vai além, é um conceito diferente de ensino que se caracteriza principalmente por dois fatores: O estudante como protagonista do processo de ensino e aprendizagem e a personalização do ensino. Escrevi bastante sobre isso em meu texto “Afinal, o que é ensino híbrido?”. Há no entanto dois aspectos que não foram devidamente abordados naquele texto, quais sejam, o espaço escolar e a função do professor no ensino híbrido.

Pretendo elaborar no texto de hoje algumas considerações sobre o espaço escolar. Para início de conversa, é importante dizer que precisamos urgentemente romper com o paradigma que a aprendizagem se dá apenas na sala de aula. Muitos professores já incorporam em seu discurso o fato de que os estudantes aprendem e qualquer lugar mas na prática continuam agindo como se somente fosse possível aprender na sala de aula. Para os professores que além do discurso já procuram colocar essa ideia na prática, é muito comum a existência do preconcenito de que se os alunos não estão na sala de aula é porque o professor está “matando” o tempo. Na verdade, precisamos entender e aceitar que a aprendizagem pode se dar em qualquer lugar, seja em ambientes formais ou não formais. Nos ambientes formais de ensino e aprendizagem o professor pode perfeitamente passar atividades aos estudantes que não precisam necessariamente ser realizadas na sala de aula. O professor pode ceder o tempo da aula para os alunos realizarem determinada atividade e esses a realizarão na sala de aula, na biblioteca, em uma sala de estudos, no pátio da escola, ou em outros lugares possíveis. É simplesmente um erro do gestor achar que porque a sala não está cheia, que porque os alunos estão espalhados que eles não estão aprendendo. Muitas vezes os professores que tentam inovar nesse sentido são punidos pois ainda entendemos aula como sendo o professor falando por 50 minutos sem parar para a sua plateia. Lógico que há casos e casos. Muitos professores, no intuito de não dar aula, deixam atividades para os alunos, sem qualquer planejamento e objetivo e mandam esses irem pra casa realizar sua tarefa. Isso é um erro e precisa ser devidamente corrigido, mas aqui estamos falando de professores que planejam suas atividades e deixam os estudantes as desenvolverem em espaços diversos e o professor atua como uma facilitador de ensino. Mas não foquemos agora no professor, ele será assunto em um próximo texto, voltemos a falar dos espaços escolares. Não é mal algum ter alunos espalhados pelo espaço escolar para realizar uma atividade e o professor não precisa estar acompanhando a todos de perto, afinal, não é possível estar em vários lugares ao mesmo tempo. Não há problema algum em  professores cederem o tempo de suas aulas para a realização de atividades, pelo contrário, esse é um bem que os professores fazem. Os alunos aprendem muito mais fazendo atividades que ouvindo uma exposição interminável do professor.

E a sala de aula, é a mesma no ensino híbrido? Não só no ensino híbrido como na utilização de diversas metodologias ativas a sala de aula deveria ser adaptada em um espaço que fosse propício ao trabalho em grupo, a maior interação entre alunos e uso da tecnologia. O que isso significa na prática? Significa espaços nos quais os professores saiam do centro do processo, que se tenha mesas circulares para o desenvolvimento de trabalhos em equipe, um ambiente favorável para a circulação entre grupos, tomadas espalhadas por toda a sala para a possibilidade de utilização de componentes tecnológicos, fácil acesso a internet, e o que mais nossa imaginação nos permitir imaginar. Um espaço na sala de aula para “mini lições” onde professores dariam exposições a estudantes com mais dificuldades em determinado assunto enquanto outros continuassem trabalhando e grupos ou individualmente também seria desejável. A adaptação do espaço físico com certeza ajuda bastante a implementação do ensino híbrido mas ao meu ver não é uma condição sine qua non. Não podemos ficar presos a ideia de que só poderemos utilizar as metodologias ativas e implementar o ensino híbrido quando tivermos todas as condições ideais para iniciarmos. É perfeitamente possível adaptarmos nosso espaço escolar, colocando carteiras em círculo quando necessário, orientando os estudantes a se organizarem em grupos, trazendo extensões para a utilização de mais tomadas. Mais importante que a sala de aula,ao meu ver,  é iniciar, dar o primeiro passo, e como disse no início do texto, mudar a mentalidade e aceitar de que a aprendizagem não se dá apenas em sala de aula.

 

Diego Ariça Ceccato - "educador e professor universitário"

e-mail, diegoceccato@gmail.com

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Willy Macedo
Interplan