Monumentos ao ridículo

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Presidente Prudente é uma cidade acolhedora, vibrante e com um orgulho legítimo do seu lugar no mapa paulista. Mas basta pousar no seu aeroporto ou trafegar por uma de suas vias mais movimentadas para tropeçar em um desvio moral indigesto. Ali, gravado em placas metálicas e de concreto, reluz o nome de Ademar de Barros.

A ironia ganha contornos de piada pronta quando nos debruçamos sobre a história. Trata-se do homem que transformou o “rouba, mas faz” no seu cartão de visitas não oficial. O ex-governador paulista acumulou tamanha fortuna de origem duvidosa que precisava esconder o produto de seus desvios em lugares inusitados. Quem não se lembra do mítico cofre de 300 quilos mantido na mansão de sua amante no Rio de Janeiro? Recheado com 2,5 milhões de dólares em dinheiro vivo — o equivalente a dezenas de milhões de reais em valores de hoje —, o cofre acabou sendo surrupiado por guerrilheiros em 1969. O desfecho? A família do político nem sequer pôde registrar o boletim de ocorrência na polícia, pelo simples pavor de ter que explicar de onde saíra aquela montanha de notas verdes não declaradas. O clássico “ladrão que rouba ladrão”.

Pois é essa a figura que Presidente Prudente escolheu para recepcionar quem chega pelo ar ou para nomear o fluxo diário de milhares de cidadãos trabalhadores.

Batizar um aeroporto ou uma grande avenida não é um ato burocrático neutro; é uma escolha sobre quem a sociedade deseja homenagear, perpetuar e oferecer como modelo às futuras gerações. Qual é a mensagem que passamos aos estudantes e jovens prudentinos quando o portão de entrada da cidade e o seu asfalto homenageiam o símbolo máximo da venalidade política nacional? Que o desvio de conduta é perdoável se houver obra? Que o cinismo é virtude urbanística?

Presidente Prudente merece homenagear sua própria história, seus educadores, seus pioneiros e tantas personalidades éticas que ajudaram a construir o Oeste Paulista. Continuar estampando o nome de Ademar de Barros em seus principais pontos de referência não é preservar a memória; é naturalizar a corrupção. Passou da hora de a cidade trocar esses monumentos ao ridículo por nomes que realmente nos deem orgulho de pronunciar. Por exemplo o aeroporto da cidade devia homenagear com justiça o nome de seu filho mais famoso na aviação mundial, Antônio Fuzimoto, ex-comandante da Varig, reconhecido como o “herói de Orly” por ter salvo centenas de pessoas no fático acidente em que conseguiu milagrosamente pousar um Boeing numa horta nos arredores de Paris. É’ icônica a imagem dos aviões da força aérea francesa escoltando o voo de volta de Fuzimoto

Aerporto de Prudente tem o nome do ex-Governador Ademar de Barros, um dos mais corruptos da historia