O tempo tem uma curiosa maneira de seguir adiante sem pedir licença. Os anos passam, as rotinas mudam, novas histórias se escrevem. Ainda assim, algumas presenças permanecem vivas na memória de quem teve o privilégio de conviver com elas.
Ontem, ao lembrar que já se passaram 14 anos da partida de Maria Letícia Ferreira Martins Reys, um amigo em comum comentou sobre o dinamismo que marcava sua maneira de viver. Letícia era daquelas pessoas que pareciam sempre em movimento, não por pressa, mas por propósito.
Movimento em favor das causas que acreditava.
Movimento em favor das pessoas.
E, sobretudo, movimento em favor da vida.
Outra amiga lembrou de algo ainda mais precioso: seu jeito doce. Letícia tinha uma forma rara de atravessar os dias — buscando paz. Não apenas para si, mas também para todos que cruzassem seu caminho.
Essa talvez seja a marca mais bonita que alguém pode deixar.
Porque existem pessoas que passam pela vida acumulando conquistas, títulos ou reconhecimento. Outras deixam algo mais profundo: uma sensação de bem-estar ao redor, uma memória de gentileza que continua ecoando mesmo depois da despedida.
Quatorze anos não são capazes de apagar esse tipo de presença.
A saudade, quando nasce do afeto verdadeiro, não envelhece.
Ela apenas muda de lugar — sai da convivência diária e passa a morar no território silencioso da lembrança.
E ali permanece.
Como uma luz suave que insiste em continuar acesa.

