O valor de estar presente

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SINOMAR CALMONA

Vivemos tempos curiosos. Nunca se falou tanto em solidariedade e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil encontrar tempo para ela.

É comum ver campanhas, arrecadações, transferências bancárias generosas. E tudo isso é importante, claro. Creches, hospitais, orfanatos e asilos precisam sobreviver, e o dinheiro muitas vezes é o combustível que mantém portas abertas.

Mas existe algo que nenhum depósito bancário consegue substituir: presença.

Não são muitas as pessoas que trocam algumas horas do seu dia — ou sequer alguns minutos — para atravessar o portão de uma instituição social e sentar ao lado de quem precisa mais de companhia do que de qualquer outra coisa.

Às vezes, basta isso.

Uma conversa simples.

Um sorriso.

Um agrado.

Um carinho.

Uma palavra dita com calma, sem pressa.

Em muitos desses lugares, o que falta não é apenas recurso material. Falta alguém que escute, que pergunte como foi o dia, que ofereça um abraço sem cerimônia.

E é curioso perceber como esses pequenos gestos têm uma força desproporcional ao seu tamanho.

Um afago pode mudar o humor de um dia inteiro.

Uma visita pode iluminar uma semana.

Um gesto de atenção pode devolver a alguém a sensação de que ainda importa para o mundo.

Talvez a solidariedade mais verdadeira não esteja apenas no que damos, mas no tempo que estamos dispostos a oferecer.

Porque, no fim das contas, a vida se mede por esses instantes quase invisíveis — aqueles em que alguém decide parar um pouco a própria rotina para fazer o bem de maneira simples e direta.

Pequeninos gestos de amor incondicional.

E, pensando bem, talvez seja só isso que realmente importe.