Unoeste inaugura estátua em homenagem à Dona Ana

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Inauguração ocorreu na manhã desta terça-feira (28) com a presença da família, autoridades, colaboradores e população em geral (Foto: Vitor Reis)



Monumento foi instalado em frente ao Bloco A do campus 1 e ocupa agora lugar de destaque ao lado da estátua em homenagem ao Professor Agripino; ambos são fundadores da universidade

Agora quem passa pela rua José Bongiovani, em frente ao Bloco A da Unoeste – o primeiro construído em 1973 e onde hoje funciona a Reitoria e outros departamentos administrativos –, passa a ser recepcionado não mais apenas pelo professor Agripino de Oliveira Lima Filho. Mas também pela professora Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima, ou simplesmente Dona Ana como era carinhosamente chamada. Ambos são os fundadores da universidade.

A imagem de Dona Ana também está eternizada numa estátua de bronze. Obra do escultor Pedro Cesar Almeida Santos, de Botucatu (SP), o mesmo que já havia esculpido a imagem do professor Agripino. O monumento tem 1,63m, aproximadamente 120 kg e passa a ocupar lugar de destaque ao lado da estátua em homenagem ao Professor Agripino que também foi perpetuada ali em 19 de fevereiro de 2019.

A estátua que representa em tamanho real a imagem da eterna professora Dona Ana foi inaugurada na manhã desta terça-feira (28), em cerimônia de homenagem póstuma que contou com a participação de filhos, netos, bisnetos, demais familiares, autoridades, representantes de entidades públicas e privadas, funcionários e alunos da universidade. Entre as autoridades presentes estavam o prefeito de Prudente Ed Thomas, o ex-prefeito Milton Carlos de Mello ‘Tupã’, as vereadoras Miriam Brandão e Joana D’arc, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-8) Dr. Wlamir Geralde, e o subcomandante do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM/I), Major Júlio César Domingues.

Por meio do Programa Unoeste + Cultura, o aluno do 2º termo de Sistemas de Informação da Unoeste, Victor Terrengui Brandi, tocou saxofone para recepcionar os convidados. Representando a família Oliveira Lima, falou o filho primogênito do casal, Augusto Cesar de Oliveira Lima, diretor geral da Apec/Unoeste. “É um orgulho falar hoje em nome da minha família, principalmente em homenagem a minha mãe: Dona Ana. Mais especial ainda porque sei o quanto ela foi importante pra muita gente que está aqui. Cada um tem um momento para falar dela, porque ela foi uma pessoa não somente especial para a família, amigos e funcionários da Unoeste, mas pra muita gente que se formou aqui e ainda vai se formar em Prudente, em Jaú, em Guarujá e tantos outros lugares por meio da Unoeste. Mãe, a sua missão também é nossa: transformar a vida das pessoas por meio do conhecimento. Você e meu pai estarão sempre presentes. Muito obrigado”, discursou, emocionado.

O prefeito Ed Thomas definiu o momento da inauguração como “grandioso e de muito orgulho” por se tratar da mulher empreendedora e visionária que ajudou a construir essa cidade. “Nos mais de 100 anos de Prudente, com certeza cada prudentino com a história do seu Agripino e da Dona Ana, tem uma situação construída. São gerações de prudentinos e prudentinas que têm uma ligação com esse trabalho da antiga Apec, da Unoeste que leva o nome de Prudente para o estado de São Paulo, para o país, com notas grandiosas e com profissionais formados aqui em vários setores, em vários segmentos. Quer dizer, é um trabalho de excelência e aí uma consolidação de tirar o melhor de cada um como dizia a Dona Ana e o Agripino que dizia o trabalho tudo vence”, destacou.

A coordenadora do curso de História, professora Alba Lucena Fernandes Gandia, também participou da inauguração. Ela lembrou com saudades os mais de 40 anos que trabalhou junto com Dona Ana e o Professor Agripino. “Nós não podemos parar de pensar que foram eles os idealizadores da Unoeste. Eu lembro da Dona Ana, às vezes 10h30, 11h, eu saia da aula quando só tínhamos esse prédio [Bloco A] aqui, e ela ali na sala, pegando uma marmitinha, movimentando as pernas porque havia passado o dia todo sentada. E ele um homem de uma visão que nem preciso repetir que todo mundo já sabe. Mas são os tipos de pessoas, Dona Ana e Agripino, que não morrem. São pessoas que ficam eternas”, lembrou.

Estátua em homenagem a Dona Ana tem 1,63m, aproximadamente 120 kg e passa a ocupar lugar de destaque ao lado da estátua do Professor Agripino (Foto: Ector Gervasoni)

Alba não tem dúvidas de que os dois fizeram muito por Prudente, inclusive para o crescimento da Unoeste que é conceito máximo (Nota 5) pelo MEC. “Eu acompanhei Agripino nas construções de igrejas, a Dona Ana na estrutura dessa universidade que era dia e noite. Domingo na residência dela a gente via ela lá num cantinho com os papéis fazendo as coisas. Uma mulher exemplar com quem tive um convívio muito próximo, aquela relação de amigas mesmo. Então eu posso falar: Dona Ana ficará eterna agora, não só para os que a conheceram, mas os que vão vir no futuro e saber de tudo o que foi feito. O que Presidente Prudente deve a esses dois é algo inacreditável, porque eles pensaram em tudo. Não é só educação e saúde, mas todos os aspectos. Eu convivi, vi as ideias que saíram do papel e se concretizaram. Quantos alunos com as suas bolsas, os funcionários que se formaram. A educação sempre precisou deles e até hoje eu fico pensando como precisamos de pessoas como Ana e o Agripino para educação que é base de tudo. São exemplos de pessoa”, completou.

Legado inspirador

Dona Ana era uma mulher sábia e de decisões acertadas. Cidadã, mulher pública, empresária, era filha do meio de cinco irmãos e em 1950 se formou professora, sendo que no ano seguinte começou a lecionar na zona rural. Em 1953 casou-se com Agripino que ainda estudava para ser professor e trabalhava no armazém de sua família em Garça, na região de Marília. Em Garça nasceram três dos quatro filhos: Augusto Cesar, Ana Cristina e Maria Regina. O caçula Paulo César, 13 netos e seis bisnetos nasceram em Prudente, onde a família chegou em 15 de janeiro de 1962, depois de dois anos em Alfredo Marcondes.

Dona Ana dizia que nasceu professora e iria morrer professora, pelo amor e pela missão de ajudar na transformação de vida das pessoas por meio da educação. E foi em Presidente Prudente que ela fez história. Trabalhou na criação da Associação Prudentina de Educação e Cultura – Apec e instalou em 1972 a Faclepp: Faculdade de Ciências, Letras e Educação, que foi a primeira semente da tão idealizada Universidade do Oeste Paulista, a Unoeste. Entre as suas obras, além dos campi universitários e a Fazenda Experimental, esteve envolvida no projeto do Hospital Universitário “Dr. Domingos Leonardo Cerávolo”, que foi estadualizado em fevereiro de 2009.

Na única vez em que colocou seu nome em apreciação popular, foi eleita vereadora em Presidente Prudente com 5,5 mil votos, a mais votada em 2000. Também, por diversas vezes, foi convidada a ser candidata a prefeita, mas não quis. Dona Ana morreu em 10 de novembro de 2022, aos 92 anos, deixando a todos uma grande lição em uma de suas frases mais marcantes: “aproveite o melhor de cada pessoa”.

Filhos e netos acompanharam solenidade de inauguração das estátuas em frente ao Bloco A
( Foto : Ector Gervasoni )